Não escrevo sobre amor, porque não sei, porque não me apetece e porque não acho sequer que tenha esse direito. Acredito que AMOR é grande demais para as (minhas) palavras. Mas vou falar-vos de doença e do quanto me sinto ofendida quando oiço mais uma história de alguém que "agrediu a(o) companheira(o) por amor".
Uma vez, terminei um relacionamento debaixo de gritos, no carro, com ele a conduzir e a perguntar-me estridentemente se eu queria terminar a relação. Farta de o ouvir gritar, obviamente disse que sim, queria terminar. Ele limitou-se a dizer que se eu não ficasse com ele, não ficava com mais ninguém, e tentou atirar o carro por um precipício. Valeram-me os rápidos reflexos para segurar o volante ou, provavelmente, não estaria a escrever-vos agora.
Como ousa falar em amor quem prefere ver o seu amado sofrer do que ser feliz? Temos muitos psicólogos no desemprego e muitos doentes por tratar. Ninguém precisa de ninguém para viver, não confundam amor com obsessão, doença ou falta de vida própria. Arranjem uma ocupação útil, façam voluntariado, ajudem alguém.
Toda a gente sofre, toda a gente sente ciumes, toda a gente tem medo de perder pelo menos uma vez na vida, mas no dia e que preferirem ver o vosso
amor a sofrer ou mesmo morto do que vê-lo ser feliz com outra pessoa, façam um favor à Humanidade e procurem ajuda (ou suicidem-se em vez de matar a companheira e os filhos e
tentar o suicídio depois).
Como diz o Vítor Espadinha na música, "o amor é uma loucura quando nele julgamos ver a nossa cura."